sexta-feira, 17 de junho de 2011

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Como o dia passou rápido! – Exclamou Clara enquanto desviava de um buraco no chão do pátio. – Então pessoal, quem se deu bem na prova? – Perguntou com entusiasmo.

- EU! – Victória, Laura e Nicolas responderam, também estavam entusiasmados.

- Como sempre a prova do professor Vicente estava facílima!

- Pois é Índio, mas o mais impressionante é a prova da Valéria estar daquele jeito, geralmente ela pega no nosso pé, acho que é a primeira vez que chegarei perto de um dez em história. – Disse Victória.

- É gente, hoje estava assim, “papinha de neném”, e amanhã? Matemática e Física!

- Nem me fale Clara... – Disse Nicolas com uma ponta de tristeza na voz. – Dá até certo medo.

- Que isso gente, a gente tem a Vic aqui – Disse Laura abraçando Victória.

- Quem garante que eu vou ajudar vocês? – Victória usou uma voz séria ao proferir a frase.

- Tenho mais amigos, e temos punhos, e mais de dez batendo em alguém não é crime é linchamento... - Disse Laura também em um tom sério.

- Estou brincando não é gente! – Disse Victória emendando uma risada após a frase.

- Mas eu não – Laura fez uma cara séria, tal feição fez Victória ficar um pouco apavorada. Isso fez Laura, Clara e Nicolas desatarem de rir. – Ai Vic, você acha que a gente lhe bateria mesmo?

- Você fez uma cara tão... Tão... Monstruosa – Dobrou o lábio inferior para baixo. Este ficou tão grande que parecia ter sido picado por um maribondo.

- Oh dó – Disse Nicolas em um tom irônico. – Então, você vai ensinar matemática e física para a gente?

- Claro não é? Passem lá pelas três horas em minha casa. Índio se você me quiser te espero um pouco e a gente vai. – Clara e Laura se entreolharam, elas estavam pensando na mesma coisa, e não evitaram de fazer a mesma avaliação sobre a tal frase de Victória.

- HMMMMMMM...

- Vocês dois hein... – Disse Clara.

- Vocês estão viajando. – Disse Índio logo após atravessar o portão do colégio união. – Vamos lá Vic, vou trocar de roupa e pegar uns trocados para a passagem.

- Está bem... – Tchau gente até mais tarde. – Acenou para Clara e Laura.

- Até mais meninas – Nicolas fez o mesmo que Victória e caminhou, sendo seguido por Victória. Ao dobrar a esquina Victória percebeu que ela e Nicolas estavam sendo seguidos por um Palio preto, e pararam observando o carro. Uma janela se abriu era Alex, com uma cara preocupada.

- Ai meu Deus Alex! Pensei que fosse um sequestrador ou algo do tipo – Exclamou Victória colocando a mão esquerda na altura do coração.

- Desculpa Victória... Ah olá Nicolas – Sorriu, Nicolas acenou e retribuiu o olá. – Eu queria saber, se vocês sabem por que a Pati não veio hoje.

- Hm, ele a chama de Pati, e está preocupado, huuuum... – Nicolas sussurrou para Victória, a mesma não gostou, com isso ele ganhou um cutucão. – Ai! Severa!

- Idiota – Sussurrou. Bem Alex, a gente também não sabe. Vamos ligar para ela, quando chegarmos a casa dele – Indicou Nicolas com a cabeça.

- É? – Perguntou Nicolas, mas soube que foi uma pergunta inoportuna, pois recebeu um olhar de bronca de Victória – É! – Coçou a cabeça sem graça... Bom nós temos de ir.

- Ah, tudo bem... Querem uma carona?

- Nah, não, eu moro bem ali – Apontou para um prédio cor de creme que estava há uns sessenta metros de onde estavam.

- Ah... Então até mais pessoal, se souberem de algo me avisem, por favor.

- Avisaremos – Disseram Nicolas e Victória juntos.

- Até mais.

- Até – Disseram novamente juntos.

- Poxa, ele deve estar mesmo muito preocupado com a Pati...

- Love is in the air, evriuér ai lûk auraund – Balbuciou Nicolas.

- Seu inglês me espanta… - Disse com desdém.

- Me ame e seja feliz Victória – Disse Nicolas rolando os olhos.

- Você sabe que eu já faço isso... – Sussurou para o ar para o ar.

- O que você disse?

- Ah... Eu? Eu disse que, disse que... Nunca comi chouriço! É foi isso... – Ruborizou Victória, torcendo para Nicolas não perceber que ela estava sem graça.

- Pensei ter ouvido outra coisa... – Caminhou até o portão, deu lá ao porteiro Jacinto, ou como o chamavam Seu Cintão, que assistia a um programa de esporte.

- Ah, mas foi isso... E você, já comeu chouriço?

- Não! Eca! – Nicolas foi em direção ao elevador, esperou ele descer (o que não demorou muito). Eles entraram, Nicolas apertou o número sete que era o ultimo andar do edifício Rosa Madalena.

- Vir aqui me lembra o Sidney Magal – Riu.

- Rosa Madalena... Acho que Dona Carminha (Proprietária do edifício), é fã dele – Sorriu desajeitado, olhando Victória nos olhos, pensando no que Clara e Laura haviam dito. Vitória, no entanto desviou o olhar, e pigarreou umas três vezes seguidas.

- Estranho, está demorando demais para chegar. – Nicolas e Victória olharam para os botões, que estava parado no três, ao perceberem que estavam parados arregalaram os olhos de pânico. – Fiquei perdido lhe observando que nem percebi que havíamos parados, e eu acho que falei demais... Dane-se. – Victória arregalou os olhos, não mais de pânico, de surpresa e sorriu sem graça.

- Por que, v-você estava me observando?

- Sabe Vic – Disse com seriedade na voz. - Lembra do que a Clara e a Laura disseram sobre nós, então... Love is in the air, pelo menos para mim. – Sorriu. Victória sorriu e se aproximou de Nicolas, este deu um passo em direção à garota. Os dois ficaram bem próximos, porém antes do que muitos considerariam “gran finalle” Nicolas interrompeu:

– Eu nunca...

- Sério? E as baladas que você ia e beijava dez por noite?

- Era mentira...

- Para falar a verdade, eu também nunca beijei ninguém... – Riu.

- O-k, então nós aprenderemos sozinhos... – se aproximaram, até demais, por que bateram a testa.

- Ai! – Os dois exclamaram.

– Acho que os lábios que deveriam se tocar, não as testas... – Disse Victória passando a mão na testa, no lugar onde havia batido.

- É... Mais uma vez? – Victória confirmou com a cabeça. Dessa vez a testa não atrapalhou.