segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Descobertas

- Tomo banho de Lua, fico branca como a neve, se o luar é meu... Oi Pamonhas! – Dizia Alice enquanto abria o portão. – Até hoje não entendo por que a Pati lhe deu esse nome... – Pamonhas não prestava atenção, olhava fixamente para ela, esta lembrou o aviso de Patrícia “Quando Pamonhas nos olha fixamente é que ele quer nos avisar algo, esse gato, é diferente...” – Nunca acreditei nisso, mas... – suspirou, e abaixou – O que aconteceu Pamonhas? – O gato encostou a patinha no joelho de Alice, e começou a andar. Alice entendeu que era para segui-lo, e o fez. Ao ver a casa quieta concluiu que Patrícia já estava dormindo. Continuou a seguir Pamonhas, este parou ao lado do quarto de Patrícia:

- É para eu entrar? - Disse olhando de Pamonhas para o quarto da garota. – Ai meu Deus, o que eu estou falando com um gato! - Alice entrou e se deparou com Patrícia no chão, com manchas de sangue pela roupa. Olhou para o gato, se espantou, ele era mesmo diferente:

- Meu Deus, de novo não! – Pegou a garota no colo, sem pensar duas vezes, ela a colocou no banco de trás do carro, e foram direto ao hospital vinte e quatro horas.

Amanhecia um dia ensolarado, todos do período matutino do colégio União iam para o colégio para ter mais um dia de provas. Alex, que vocês conhecem bem, morava um pouco longe, na divisa do município de São Bernardo do Campo e Diadema, com sua avó Anita. Seus pais morreram em um acidente de carro quando ele tinha apenas três anos de idade, o que contribuiu para a conturbação na infância. No entanto o Alex não demonstra tristeza, pelo contrário é sempre alegre e sorridente, e acredita que seus pais estão em um lugar melhor. Além disso, ele é uma pessoa muito dedicada e bondosa, está sempre ajudando o próximo, por causa disso que Anita mima Alex. Em seu aniversário de dezoito anos o presenteou com um carro e uma matrícula em uma escola de direção, e hoje seis meses depois, ele dirige seu próprio carro, que não é um carrão, mas também não é uma lata velha, é um Gol G3 2001, preto, que sua avó conseguiu em um leilão da terceira idade, porém para o garoto significa mais do que qualquer Ferrari ultimo modelo. E é com esse Gol, que ele vai todos os dias para a escola. Em sua rotina que ele denomina ‘Pikachu’, pois nunca muda de fase, ele acorda às 6h e faz o que tem que fazer e sai de casa às 6h30min. Sua rotina é assim desde que conseguiu bolsa no colégio União, ou seja, há três anos:

- Tchau vó, até mais tarde! Vai querer que eu passe no seu Luís?

- Hoje não Leléquis, ele só vai querer os Caquis semana que vem... – Sorriu.

- Então tudo bem, até mais tarde vá.

- Deus te abençoe. – Alex entrou em seu carro, Anita abriu o portão da com o controle. Alex achou engraçado, pois a avó se divertia com aquela tecnologia, deu um breve aceno, e saiu, Anita ficou observando o Gol se distanciar e disse a si mesma:

- Lúcia e Humberto, estão vendo? Aquele é seu filho! – Sorriu.

Alex em seu carro, ligou o rádio e foi ouvindo as notícias do dia, iria ser uma terça-feira ensolarada. Pensou um pouco nas provas do dia, história e geografia, por mais tediosas que eram as matérias, ele entendia bem, pensou até em se formar nessa área, mas não, a arte de interpretar a vida real estava em seu sangue.

- Hoje é terça feira, quem pode aproveita, quem como eu não pode, vai para a escola fazer prova e no fim se... Eu me remexo muito, eu me remex... – Victória gritava, porém (para a sorte de alguns que acompanhavam tal cena horrorizados), foi interrompida por Luciana.

- Victória, o que você tomou?

- Você sabe como eu fico quando tem prova de HISTÓRIA e GEOFRAFIA!

- É tão fácil!

- Prefiro mil vezes fazer várias provas sobre exatas do que isso...

- Você nasceu ao contrário só pode, gosta de exatas e...

- Gosto não, apenas tenho facilidade... – Nicolas a olhava com uma cara de “Acredito”.

- O-K, eu AMO Matemática, só isso.

- Está bem...

- Mas, mudando de assunto, gente, são quase 7h30min, e a Patrícia ainda não chegou...

- Estranho ela nunca chega tarde. – Lembrou Clara.

- Depois vou ligar pra ela, o sinal vai tocar, em quatro, três – O sinal toca. – Um dia eu acerto.

- Não adianta Victória, só eu tenho o dom – Disse Clara se vangloriando, pois nas três vezes que contou os segundos para o sinal bater, ela acertou.

Alex havia chegado há quinze minutos, como sempre tinha estacionado o seu carro ao lado do, do diretor (o diretor dizia que queria vigiá-lo, por ser o único a ir de carro para o colégio), e ia ao pátio falar com seus colegas e observar as pessoas. Porém nesse dia seus olhos não encontraram Patrícia escrevendo, nem conversando com seus amigos hiperativos:

- Será o que ouve com ela? – Disse Alex num pensamento alto, olhando para Clara, Victória, Luciana e Nicolas, que seguiam na frente. Foi inevitável Conrado, amigo de Alex, que também era fã de Artes Cênicas, ouvir.

- Ela quem? – Perguntou Conrado com um tom muito curioso pro sinal, característica que dizia ele difícil de evitar.

- Ah, érm, hm, Ah Conrado, érm, ninguém... É um texto que eu estou criando. – Sorriu.

- Quando estiver pronto me mostra. – Alex sabia que isso queria dizer um “depois você me fala”, às vezes Alex comparava a relação dos dois com a de duas garotas amicíssimas.

- Ah... Pode deixar – Forçou um riso. Ao entrar na sala, se perdeu em pensamentos, e queria que a aula acabasse o mais rápido possível, para poder ir à casa de Patrícia verificar o que houve.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

...

Já beirava oito horas da noite, depois de dez encomendas e um dia cansativo, Patrícia foi para casa sozinha, já que sua mãe ficava até as dez da noite na loja. Fez o mesmo caminho que mais cedo e logo chegou a sua casa, abriu o portão, deu um olá a Pamonhas, este respondeu com um miado.

- Está com fome ou sede não é? Venha aqui comigo, vou por comida pra você. – Como esperado, o gato a seguiu, parecia ansioso para abocanhar sua ração (que ainda não tinha acabado) e sua água. – Seu danadinho, sempre espera a ração nova, e eu estou gostando de ver, bebeu a água dos dois potes! – Colocou água em um dos potes, e o colocou no chão. Pamonhas pulou para alcançar o pote, que derramou um pouco de água, não demonstrando interesse ao que havia feito, começou a beber a água. – Se quiser mais alguma coisa dá uma miadinha, tudo bem? – Patrícia foi para o seu quarto terminar de digitar “Rua da lembrança”, enquanto Pamonhas se esparramava no sofá. A garota se sentou, e abaixou para ligar o estabilizador, ao fazer este movimento, uma forte dor de cabeça lhe surpreendeu, mas a vontade de entrar no mundo da “Rua da lembrança” foi mais forte que essa dor. Desligou-se do mundo real, e começou a criar e digitar, em sua história, Mariana arranjara um emprego em uma lanchonete. Todos os dias ela saia de casa às sete e meia da manhã e ia de bicicleta ao trabalho. Ela trabalhava na lanchonete “Bom de garfo”, que era muito famosa na região de Americana, lá trabalhava como garçonete, fazia um expediente de oito horas e ganhava pouco mais que um salário mínimo, o que já era o bastante para seus objetivos que era fazer cursinho, tirar carteira de motorista e obviamente sair.

Mariana saiu de casa às sete e meia, há uma semana sua rotina era essa. Pegou suas coisas, montou em sua bicicleta vermelha e seguiu ao centro da cidade de Americana. Nesse percurso ela passava por uma rua, que tinha uma casa extremamente linda, a primeira vez que Mariana viu tal casa, quase caiu da bicicleta de tão linda que era. Mal sabia Mariana, que uma casa linda, guardava uma história que muitos rotulariam de feia, ou triste. Essa história, vocês logo irão conhecer.

Patrícia sentiu uma forte dor de cabeça, porém isso não a impediu de digitar.

Depois de catorze minutos de pedalada, Marina chegou no “Bom de garfo”, deu bom dia a Seu Adamastor, dono do estabelecimento, que visitava a loja todos os dias:

- Bom dia Marina!

- Bom dia Seu... – Adamastor repreendeu, Marina sabia, que ele não gostava de ser chamado de Seu, Senhor, ou qualquer outro pronome de tratamento a não ser você. – Bom dia, ADAMASTOR! – Sorriu.

Patrícia escreveu sobre a rotina de Marina, e sobre as fofocas que Dolores, que tinha quase a mesma idade de Marina, a gerente contava pra ela:

- Marina, você não sabe! Olha lá aquele moço, o de social! Não é um moço... É UMA MOÇA! – Dolores ou Lola, como era chamada, fez cara de espanto.

- O que há de mais nisso Lola?

- COMO ALGUÉM PODE DEIXAR DE GOSTAR DE HOMENS!? – Lola falou tão alto que chamou a atenção de alguns clientes, inclusive do tal moço, ou moça.

- Sobra mais para nós, não é? – Marina sorriu.

- menos DUAS, ou dois concorrentes, afinal, o tal ali tem namorada. – Disse incrédula.

- Esse é o mundo atual Lola, cada um faz a escolha que quer... Tenho que ir, dois clientes chegaram!

Empolgada, Patrícia havia se esquecido da dor de cabeça, porém quando sua vista ficou turva ela logo lembrou e mais que isso, sentiu gosto de sangue, olhou pra baixo gotas de sangue decoravam sua calça, tocou seu nariz, e viu suas mãos vermelhas. Levantou-se para ir buscar papel, porém de turva, sua vista escureceu e sentiu um forte impacto. A garota havia desmaiado.