- Tomo banho de Lua, fico branca como a neve, se o luar é meu... Oi Pamonhas! – Dizia Alice enquanto abria o portão. – Até hoje não entendo por que a Pati lhe deu esse nome... – Pamonhas não prestava atenção, olhava fixamente para ela, esta lembrou o aviso de Patrícia “Quando Pamonhas nos olha fixamente é que ele quer nos avisar algo, esse gato, é diferente...” – Nunca acreditei nisso, mas... – suspirou, e abaixou – O que aconteceu Pamonhas? – O gato encostou a patinha no joelho de Alice, e começou a andar. Alice entendeu que era para segui-lo, e o fez. Ao ver a casa quieta concluiu que Patrícia já estava dormindo. Continuou a seguir Pamonhas, este parou ao lado do quarto de Patrícia:
- É para eu entrar? - Disse olhando de Pamonhas para o quarto da garota. – Ai meu Deus, o que eu estou falando com um gato! - Alice entrou e se deparou com Patrícia no chão, com manchas de sangue pela roupa. Olhou para o gato, se espantou, ele era mesmo diferente:
- Meu Deus, de novo não! – Pegou a garota no colo, sem pensar duas vezes, ela a colocou no banco de trás do carro, e foram direto ao hospital vinte e quatro horas.
Amanhecia um dia ensolarado, todos do período matutino do colégio União iam para o colégio para ter mais um dia de provas. Alex, que vocês conhecem bem, morava um pouco longe, na divisa do município de São Bernardo do Campo e Diadema, com sua avó Anita. Seus pais morreram em um acidente de carro quando ele tinha apenas três anos de idade, o que contribuiu para a conturbação na infância. No entanto o Alex não demonstra tristeza, pelo contrário é sempre alegre e sorridente, e acredita que seus pais estão em um lugar melhor. Além disso, ele é uma pessoa muito dedicada e bondosa, está sempre ajudando o próximo, por causa disso que Anita mima Alex. Em seu aniversário de dezoito anos o presenteou com um carro e uma matrícula em uma escola de direção, e hoje seis meses depois, ele dirige seu próprio carro, que não é um carrão, mas também não é uma lata velha, é um Gol G3 2001, preto, que sua avó conseguiu em um leilão da terceira idade, porém para o garoto significa mais do que qualquer Ferrari ultimo modelo. E é com esse Gol, que ele vai todos os dias para a escola. Em sua rotina que ele denomina ‘Pikachu’, pois nunca muda de fase, ele acorda às 6h e faz o que tem que fazer e sai de casa às 6h30min. Sua rotina é assim desde que conseguiu bolsa no colégio União, ou seja, há três anos:
- Tchau vó, até mais tarde! Vai querer que eu passe no seu Luís?
- Hoje não Leléquis, ele só vai querer os Caquis semana que vem... – Sorriu.
- Então tudo bem, até mais tarde vá.
- Deus te abençoe. – Alex entrou em seu carro, Anita abriu o portão da com o controle. Alex achou engraçado, pois a avó se divertia com aquela tecnologia, deu um breve aceno, e saiu, Anita ficou observando o Gol se distanciar e disse a si mesma:
- Lúcia e Humberto, estão vendo? Aquele é seu filho! – Sorriu.
Alex em seu carro, ligou o rádio e foi ouvindo as notícias do dia, iria ser uma terça-feira ensolarada. Pensou um pouco nas provas do dia, história e geografia, por mais tediosas que eram as matérias, ele entendia bem, pensou até em se formar nessa área, mas não, a arte de interpretar a vida real estava em seu sangue.
- Hoje é terça feira, quem pode aproveita, quem como eu não pode, vai para a escola fazer prova e no fim se... Eu me remexo muito, eu me remex... – Victória gritava, porém (para a sorte de alguns que acompanhavam tal cena horrorizados), foi interrompida por Luciana.
- Victória, o que você tomou?
- Você sabe como eu fico quando tem prova de HISTÓRIA e GEOFRAFIA!
- É tão fácil!
- Prefiro mil vezes fazer várias provas sobre exatas do que isso...
- Você nasceu ao contrário só pode, gosta de exatas e...
- Gosto não, apenas tenho facilidade... – Nicolas a olhava com uma cara de “Acredito”.
- O-K, eu AMO Matemática, só isso.
- Está bem...
- Mas, mudando de assunto, gente, são quase 7h30min, e a Patrícia ainda não chegou...
- Estranho ela nunca chega tarde. – Lembrou Clara.
- Depois vou ligar pra ela, o sinal vai tocar, em quatro, três – O sinal toca. – Um dia eu acerto.
- Não adianta Victória, só eu tenho o dom – Disse Clara se vangloriando, pois nas três vezes que contou os segundos para o sinal bater, ela acertou.
Alex havia chegado há quinze minutos, como sempre tinha estacionado o seu carro ao lado do, do diretor (o diretor dizia que queria vigiá-lo, por ser o único a ir de carro para o colégio), e ia ao pátio falar com seus colegas e observar as pessoas. Porém nesse dia seus olhos não encontraram Patrícia escrevendo, nem conversando com seus amigos hiperativos:
- Será o que ouve com ela? – Disse Alex num pensamento alto, olhando para Clara, Victória, Luciana e Nicolas, que seguiam na frente. Foi inevitável Conrado, amigo de Alex, que também era fã de Artes Cênicas, ouvir.
- Ela quem? – Perguntou Conrado com um tom muito curioso pro sinal, característica que dizia ele difícil de evitar.
- Ah, érm, hm, Ah Conrado, érm, ninguém... É um texto que eu estou criando. – Sorriu.
- Quando estiver pronto me mostra. – Alex sabia que isso queria dizer um “depois você me fala”, às vezes Alex comparava a relação dos dois com a de duas garotas amicíssimas.
- Ah... Pode deixar – Forçou um riso. Ao entrar na sala, se perdeu em pensamentos, e queria que a aula acabasse o mais rápido possível, para poder ir à casa de Patrícia verificar o que houve.