quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

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Já beirava oito horas da noite, depois de dez encomendas e um dia cansativo, Patrícia foi para casa sozinha, já que sua mãe ficava até as dez da noite na loja. Fez o mesmo caminho que mais cedo e logo chegou a sua casa, abriu o portão, deu um olá a Pamonhas, este respondeu com um miado.

- Está com fome ou sede não é? Venha aqui comigo, vou por comida pra você. – Como esperado, o gato a seguiu, parecia ansioso para abocanhar sua ração (que ainda não tinha acabado) e sua água. – Seu danadinho, sempre espera a ração nova, e eu estou gostando de ver, bebeu a água dos dois potes! – Colocou água em um dos potes, e o colocou no chão. Pamonhas pulou para alcançar o pote, que derramou um pouco de água, não demonstrando interesse ao que havia feito, começou a beber a água. – Se quiser mais alguma coisa dá uma miadinha, tudo bem? – Patrícia foi para o seu quarto terminar de digitar “Rua da lembrança”, enquanto Pamonhas se esparramava no sofá. A garota se sentou, e abaixou para ligar o estabilizador, ao fazer este movimento, uma forte dor de cabeça lhe surpreendeu, mas a vontade de entrar no mundo da “Rua da lembrança” foi mais forte que essa dor. Desligou-se do mundo real, e começou a criar e digitar, em sua história, Mariana arranjara um emprego em uma lanchonete. Todos os dias ela saia de casa às sete e meia da manhã e ia de bicicleta ao trabalho. Ela trabalhava na lanchonete “Bom de garfo”, que era muito famosa na região de Americana, lá trabalhava como garçonete, fazia um expediente de oito horas e ganhava pouco mais que um salário mínimo, o que já era o bastante para seus objetivos que era fazer cursinho, tirar carteira de motorista e obviamente sair.

Mariana saiu de casa às sete e meia, há uma semana sua rotina era essa. Pegou suas coisas, montou em sua bicicleta vermelha e seguiu ao centro da cidade de Americana. Nesse percurso ela passava por uma rua, que tinha uma casa extremamente linda, a primeira vez que Mariana viu tal casa, quase caiu da bicicleta de tão linda que era. Mal sabia Mariana, que uma casa linda, guardava uma história que muitos rotulariam de feia, ou triste. Essa história, vocês logo irão conhecer.

Patrícia sentiu uma forte dor de cabeça, porém isso não a impediu de digitar.

Depois de catorze minutos de pedalada, Marina chegou no “Bom de garfo”, deu bom dia a Seu Adamastor, dono do estabelecimento, que visitava a loja todos os dias:

- Bom dia Marina!

- Bom dia Seu... – Adamastor repreendeu, Marina sabia, que ele não gostava de ser chamado de Seu, Senhor, ou qualquer outro pronome de tratamento a não ser você. – Bom dia, ADAMASTOR! – Sorriu.

Patrícia escreveu sobre a rotina de Marina, e sobre as fofocas que Dolores, que tinha quase a mesma idade de Marina, a gerente contava pra ela:

- Marina, você não sabe! Olha lá aquele moço, o de social! Não é um moço... É UMA MOÇA! – Dolores ou Lola, como era chamada, fez cara de espanto.

- O que há de mais nisso Lola?

- COMO ALGUÉM PODE DEIXAR DE GOSTAR DE HOMENS!? – Lola falou tão alto que chamou a atenção de alguns clientes, inclusive do tal moço, ou moça.

- Sobra mais para nós, não é? – Marina sorriu.

- menos DUAS, ou dois concorrentes, afinal, o tal ali tem namorada. – Disse incrédula.

- Esse é o mundo atual Lola, cada um faz a escolha que quer... Tenho que ir, dois clientes chegaram!

Empolgada, Patrícia havia se esquecido da dor de cabeça, porém quando sua vista ficou turva ela logo lembrou e mais que isso, sentiu gosto de sangue, olhou pra baixo gotas de sangue decoravam sua calça, tocou seu nariz, e viu suas mãos vermelhas. Levantou-se para ir buscar papel, porém de turva, sua vista escureceu e sentiu um forte impacto. A garota havia desmaiado.

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