Eram nove da noite, Patrícia estava concentrada, decidira que queria, por que queria escrever um livro, um livro sobre “Rua da lembrança” tirara aquele nome de “Memory Lane” música de sua banda favorita McFLY. Tinha o intuito de escrever sobre seu mundo utópico, sobre uma rua, em que suas lembranças e desejos se tornassem realidade.
- Nossa! MEIA-NOITE E MEIA! Me empolguei demais, preciso dormir. – Desligou a luz, deitou-se e como sempre, pegou rápido no sono. Patrícia ouviu seu despertador tocar, eram seis da manhã, não conseguiu abrir os olhos, estavam pesados de sono, o frio ajudava a preguiça permanecer em seu corpo. Lembrou do que havia escrito, levantou-se rapidamente, afinal não perderia um dia de aula, não poderia ficar sem ver ELE. Tomou um banho rápido, alimentou-se e foi para a escola. Estava frio, um frio que Patrícia considerava agradável, mas não seria agradável sentar nas poltronas frias do ônibus. Como esperado sei e meia ele chegou, estava vazio, consequentemente mais frio, porém foi esquecido pela garota, que entrou em seu mundo de ilusão. Viajava por vários mundos, focados em duas coisas: A continuação de “Rua da lembrança” e NELE, mas quem era esse ELE, NELE ou AQUELE? Meu caro leitor deixá-lo-ei curioso, no momento certo descobrirá quem é ELE.
Quinze minutos depois, Patrícia percebera que seu ponto era o próximo, levantou-se, pediu licença as pessoas que estava em pé, chegou a porta, o ônibus parou abriu a porta, ela desceu e caminhou em passos largos e rapidamente e adentrou ao colégio. Tinham dez ou onze pessoas, de classes e anos diferentes de Patrícia, apenas os conhecia de vista, por causa disso foi direto ao banco, sentou-se não pensou duas vezes e pegou seu caderno que trazia colado na capa letras recortadas de jornais e/ ou revistas, formando a frase “Rua da lembrança”, o abriu, pegou seu lápis e começou a escrever e pensar alto.
“- Marina chegou naquela cidade há três dias, ficara desesperada, queria...”
- O quê que ela queria? – Pois o lápis na boca num gesto de pensamento, a garota estava tão entretida, que não ouvira Victória falando.
- Pati! Hey... Patrícia! – Uma garota baixinha, de cabelos pretos com mechas vermelha (essas realçavam o verde de seus olhos), pele branca como a neve, berrava, essa garota era Victória, era muito próxima de Patrícia, eram como Irmãs.
- Ah! Oi Vic, desculpa estava viajando... - Disse voltando a si.
- Percebi – riu. Ei o que você está fazendo? – Disse apontando para o caderno.
- Ah, isso? Uma historinha boba, nada de mais.
- Me deixa ver! – Puxou o caderno, e o folheou. Tinham quinze páginas, se admirou. – Historinha? Imagina se fosse uma “Historiona” – Disse fazendo gestos exagerados.
- Ah, nem é tudo isso Vic!
- Posso ler?
- Sim – disse dando os ombros. Tinha lição hoje?
- Se tinha, eu não fiz. Bem, vamos ver se você é uma boa autora – riu. Abriu o caderno e começou a ler. À medida que lia, seus olhos brilhavam. Patrícia se impressionou, estaria seu esboço de livro, tão bom assim? – A-MI-GA, que linda!
- Ah, você está dizendo isso, só pra me agradar, tenho certeza.
- Patrícia, olha pra mim, você acha que eu mentiria pra você? – Patrícia olhou para ela, e não disse nada. – Quem cala consente.
- Está bem, vou fingir que acredito em você. Agora me diga uma cidade, uma não, duas!
- Me deixa pensar – Disse com expressão de pensamento.
- Nacional? – Patrícia fez um gesto confirmando a pergunta. – Ah faz de Campinas e São Paulo. Patrícia gostou, fez uma cara de satisfeita e disse:
- Pode ser – Olhava para o portão de entrada, estava esperando alguém, que vocês já conhecem, ELE. Por mais que não se falassem (muito), a presença dele já valia mais que mil palavras trocadas com aquela pessoa a quem ela amava.
- Por que você olha tanto pra lá? – Perguntou Victória, mas não foi respondida. – Pati? PATRÍCIA! – Patrícia se assustou com o grito de Victória, e voltou à realidade.
- Que foi?
- Você está bem? – Perguntou colocando a mão na testa de Patrícia, para ver se estava com febre.
- Claro que sim!
- Estão por que está tão distante? – Sentou-se ao lado dela.
- Ah não sei, você sabe que eu sou meio distraída?
- Sim, você é MEIO, mas agora você está TODA distraída.
- Deve ser por que hoje é segunda. Mas enfim, o que você tinha perguntado? – Virou-se para Victória.
- Por que você olha tanto para o portão.
- Ah, estou vendo se o pessoal está chegando – Coçou a orelha, havia mentido.
-Hm... – Victória sabia que era mentira, mas não perguntou nada sobre.
- Olha lá! O Nicolas e a Luciana! – Olhou no relógio. – Chegaram cedo! – Uma menina e um menino se aproximavam ambos tinham altura mediana, Luciana era ruiva, tinha olhos castanho mel e várias sardas, Nicolas parecia um Índio, não é à toa que esse era seu apelido.
- Ola pessoal! – Disse Luciana e Nicolas, cumprimentando Victória e Patrícia com um beijo no rosto.
- Oi – Disseram Victória e Patrícia juntas.
- O que é isso Pati? – Disse Luciana, apontando para o caderno, que estava nas mãos da garota.
- Ah isso? Nada de mais!
- Para de ser modesta Pati! Além de ter quinze folhas, é uma história bonita e muito bem escrita, estou ansiosa, que ler a continuação. – Esboçou um sorriso amarelo.
- Ai, eu quero ler!
- Pode ler.
- Posso ler depois Pati?
- Pode sim Índio. – Luciana leu, e assim como Victória, ficara impressionada com o jeito de escrever e de quão criativa era Patrícia. Não sabiam como a garota ficava apenas com seis ou sete, nas redações que a professora Tânia, passava. Depois disso Índio leu. No horário do intervalo mais sete pessoas leram a história de Patrícia, que estava começando a ficar famosa entre os alunos do 3º ano. Ao voltar para sala, Patrícia se impressionara com o número de pessoas que queriam ler a sua história, se impressionou mais ainda com isso:
- Oi, Patrícia? – A garota logo reconheceu aquela voz, que era rouca, entrava suave em seus ouvidos, fazia seu coração parar, fazia sua barriga gelar, fazia sua mete ficar vazia e cheia DELE.
- O-Oi A- Lex, tudo bom? – Disse sem encarar o garoto nos olhos, “e que olhos!” Pensava Patrícia, eram azuis como o mar. Admirava a perfeição de seus cachinhos que realçavam seu rosto pálido. Alem dessas características, Patrícia admirava o carisma, a bondade e como ele era fissurado em artes cênicas (algo que chamou muita a atenção de nossa protagonista, pois ela amava tudo que envolvesse artes). E sim caro leitor, Alex é o ELE que fazia Patrícia delirar e confundir a realidade com sonho.
- Sim, e você? – Sorriu. Patrícia entorpeceu-se em seu sorriso, fora para outro mundo. – Ei, Pati? – “Ele me chamou de Pati” – Pensou a garota, não acreditando que estava ali, com Alex.
- Ah, e-eu? Eu estou sim! – Sorriu sem graça.
- Que bom! Eu escutei o pessoal falando que você está escrevendo uma história, e que é muito boa, será que eu poderia ler? – Sorriu meigamente.
- A-aqui está. – Estendeu o caderno. Alex o retirou das delicadas mãos da garotas, não percebeu que estavam trêmulas.
- Já lhe devolvo ok? – Patrícia balançou a cabeça, em um gesto positivo. Alex retornou ao seu lugar, enquanto Patrícia entrava em um transe. Não estava acreditando, nunca imaginaria que Alex leria um dia a sua história. História essa que descrevia todos os seus desejos e sentimentos, onde Marina e Danilo representavam Patrícia e Alex. Se alguém conhecesse todos os sentimentos de Patrícia, descobriria na hora, que aquelas personagens eram representações dos desejos da garota, mas como Alex só sabia que ela era tímida e como ele gostava de artes isso não fazia diferença (por mais que no fundo ela queria que ele descobrisse tudo). O professor Marcos chegou, Patrícia saiu de seu transe e percebeu que só ela estava em pé na sala, corou.
- Estudando o espaço, Patrícia? – Perguntou em um tom irônico.
- Calculando a área da parede, até a carteira, sabe como é, amo matemática! – Sorriu sarcasticamente, mas depois desatou de rir, sabia que era tudo uma brincadeira. Professor Marcos, segundo Patrícia, era o mais legal e o que mais ensinava bem! Só aprendeu matemática por causa dele, mas mesmo assim não gostava da matéria.
- Acho que o prêmio de “melhor idiota” será dividido entre nós dois, não é professor? – Disse rindo.
- Dividido? Nunca! É meu. – riu - Vá sentar tampinha – Professor Marcos entrou no colégio União no começo do ano letivo, Patrícia de cara gostou dele, além de tem um bom método de ensino, é uma boa pessoa, está sempre sorrindo e de bom humor. – Então pessoal, página 213 matéria nova. Passaram-se três aulas, o sinal bateu, Patrícia queria ir logo para casa digitar o que escrevera, mas para isso, ela precisa de seu caderno, que o leitor bem sabe com quem está.
- “Peço ou não peço?” – Pensou, estava tão distraída com esse pensamento, que não ouvi Alex a chamar.
- PATRÍCIA? – Berrou. Patrícia não ouviu bem quem era, mas sabia que era com ela, virou bruscamente para trás, seu corpo colidiu com de Alex, fazendo-os ficar praticamente colados. Como de costume, ela não encarou o garoto, para não ficar mais envergonhada do que já estava.
- Desculpa – Disse ao mesmo tempo em que se afastava de Alex.
- Ah, relaxa. Aqui está seu caderno – Estendeu. – A propósito, você tem o dom hein! – riu. – Quero ler a continuação! – Sorriu. Patrícia não resistiu, e encarou Alex, pela primeira vez conseguiu fazer isso sem corar.
- Ah, pode deixar. – Sorriu. – J- já vou, tchau Alex.
- Tchau Pati – Beijou demoradamente a bochecha da garota e saiu andando. Patrícia estagnou em seu caminho, sabia que aquela reação era infantil, mas não resistiu em repetir “Ele me beijou na bochecha”.
- Está falando sozinha Pati? – Disse Clara, uma mulata de cabelos cacheados se aproximara dela, mas não obteve resposta. – PATRÍCIA? – Num susto, Patrícia voltou a si.
- Ah, O-oi Clara, o que dizia?
- Ih! Bem que a Vic disse que você anda viajando! Tá até falando sozinha...
- E- e Eu? Falando sozinha? Você deve estar imaginando coisas.
- Sim estou – Disse num tom irônico. – Enfim, estão dizendo que você está escrevendo uma história, me deixa ver? - Antes de dizer algo, Patrícia sentiu-se zonza, seu nariz começou a sangrar, sua vista escureceu e desfaleceu no chão. Antes de perder a consciência, ouviu Clara gritando seu nome desesperadamente.
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