Oito horas se passaram; Patrícia ainda estava desacordada, havia ido para o hospital, os médicos disseram que não era nada demais e que iria continuar desacordada, por causa do efeito do medicamento.
- Obrigada por tê-la trazido – Dizia Dona Alice com voz chorosa.
- Por nada. – Alex sorriu. – Será que ela vai demorar a acordar?
- Espero que não – Disse olhando para a filha, sem ao menos saber que Patrícia estava acordada e ouvira as três ultimas frases do diálogo. A garota abriu os olhos lentamente, viu a figura embaçada da mãe e de Alex, não sabia onde estava não se lembrava do que aconteceu.
- Mãe? – Disse com a voz falha.
- Ai graças a Deus – a abraçou.
- O- o que aconteceu?
- Você desmaiou na escola e eu te trouxe para cá – Disse Alex.
- Ah O-obrigada Alex – sorriu. O garoto retribuiu o sorriso. Doutor Pacheco entrou na sala.
- A bela adormecida acordou! Bem Dona Alice, acho que sua filha já pode ir, mas antes vamos encaminhá-la para fazer uma bateria de exame, pois afinal pelo que a senhora disse, essa não foi a primeira vez que a senhorita Patrícia desmaiou, mas pelo que vejo com um namorado atencioso assim – Olhou para Alex - Ela não ficará descuidada. Patrícia soltou um riso que só ela pode escutar, e sentiu que estava corando, olhou para Alex, o viu dizer algo em voz baixa, algo que, assim como seu riso, só ele pode escutar.
Patrícia foi liberada, os três foram até o estacionamento e adentraram ao carro, Alex e Patrícia atrás e Alice no banco do motorista. Ainda entorpecida pelo medicamento, e na primeira curva acabou encostando sua cabeça nos ombros de Alex, que a envolveu com seus braços. Alice acompanhou a cena pelo retrovisor e sorriu. Minutos depois eles chegaram à casa de Patrícia – que dormia profundamente – Alex a pedido de Dona Alice, levou a garota até o quarto dela, a colocou na cama e lhe deu um beijo na testa. Alex desceu as escadas e encontrou uma Dona Alice sorridente:
- Agradeço por cuidar da minha filha, vejo que ela arranjou um bom namorado, e nem para me contar! – O garoto sorriu.
- Não somos namorados, apenas colegas – Sorriu. Ele disse a verdade, mas algo dentro dele, o dizia para confirmar que eram namorados.
- Ah! Me desculpa – soltou um riso encabulado.
- Nada não... Bem tenho que ir, melhoras à Patrícia. – Sorriu, virou-se e andou em direção a porta a abriu, e se foi. No caminho até sua casa (que não era muito longe da de Patrícia) se perdeu em pensamentos, estes eram voltados a Patrícia, coisas aconteceram em menos de uma semana e ele sentiu que estava se aproximando dela, mas não apenas fisicamente e sim sentimentalmente. Alex era um garoto duro na queda, não se apaixonava fácil, sofrera muito há alguns anos atrás e esse sofrimento o fazia sentir medo de não ser correspondido novamente.
Quatro e meia da manhã Patrícia acordou, sentia que tinha dormido mais de 12 horas, estava sem sono e cheia de energia. Enquanto não chegava a hora de se levantar, ficou em sua cama olhando para o escuro e pensando no dia anterior. Não se lembrava de muita coisa, mas o pouco que se lembrava era o suficiente para deixá-la feliz. Lembrou-se da volta do hospital, quando sentiu os braços de Alex a envolvendo, soltou um riso, um sorriso e só de lembrar-se deste momento sentiu as velhas e conhecidas borboletas no estômago. Após vários pensamentos, ficou encarando o escuro, até dar seis e meia.
- Até que passou rápido. – Disse encarando o relógio e sentou-se na cama. Firmou os pés no chão, se levantou, constatando que estava melhor, pegou suas roupas e rumou ao banheiro. Tomou um banho rápido, foi à cozinha tomou café-da-manhã, se despediu do quarto vazio de sua mãe e foi para a escola. A mesma rotina a cercava, até o momento em que escutando música dentro do ônibus, se lembrou do seu caderno e de sua história, como estava já estava chegando, Patrícia decidiu o pegar quando chegasse ao colégio. Menos de cinco minutos, Patrícia deu sinal fazendo o ônibus parar e abrir a porta para a garota descer. Andou uns três minutos e chegou adentrou ao colégio, como sempre era uma das primeiras a chegar. Foi se sentar no lugar de sempre, rapidamente abriu sua mochila e pegou o caderno, que já estava um pouco amassado. Ela abriu e passou os olhos para relembrar da história, havia parado quando Marina a protagonista chegara a uma nova cidade. Ficou folheando e pensando em como continuar, quando se deparou com uma anotação, cuja caligrafia de quem a escreveu ela conhecia muito bem, era de Alex. A tal anotação indicava uma rua, que despertou o interesse de Patrícia:
Rua dos Caquizeiros
- Rua dos Caquizeiros? – Disse. – Ah, deixa pra lá. – Deu os ombros e continuou a escrever:
Ficara desesperada, queria seus amigos e sua cidade antiga de volta, mas sabia que não poderia voltar, afinal, a empresa de seu pai o transferiu para lá, e nada poderia fazê-lo voltar. Marina já era formada no ensino médio, tinha o sonho de ir para faculdade, mas devido à mudança perdeu as datas dos vestibulares...
- Acho que a minha criatividade se esgotou, pelo menos por agora. – Pensou alto, e guardou o caderno. Ficou pensando na tal Rua dos Caquizeiros, mas seus pensamentos se voltaram a Victoria, que berrava como uma buzina de carnaval.
- PATRICIAAAAAAAAAAA! – Berrava Victória, que correu e pulou em Patrícia. – Você está melhor amiga?
- Desse jeito ela não vai melhorar nunca Vic. – Disse Nicolas em um tom sarcástico.
- Vai ver se eu estou na esquina Índio. Mas e ai Pati, você está melhor?
- Acho que sim – Disse com dificuldade, por causa do peso de Victória.
- Ah, que...
- PATRICIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! – Luciana e Clara corriam e gritavam, todos olhavam para elas, Patrícia sentiu um pouco de vergonha alheia, mas sorriu, pois sabia que tinhas os mais loucos e melhores amigos.
- Perdeu seu prêmio de loucura Vic! – Disse Índio, recebendo um rolar de olhos de Victória.
- Oi gente! – Disseram Luciana e Clara em um tom animado.
- Como você está Patrícia?
- Está melhor?
-Tudo bem?
- Acho que assim ela não fala né? – Disse Victória com autoridade.
- Ai mandona! Mas Pati, ta melhor?
- Estou sim gente, só foi um desmaio.
- E um sangramento de nariz...
- Da na mesma... Fui ao médico e estou melhor!
- A gente sabe que você foi ao médico, a gente viu um Alex muito desesperando lhe levando.
- Cof cof – Tossiu Victória.
- O que vocês estão insinuando? – Disse Patrícia forçando um olhar de dúvida.
- Há algo entre vocês dois, que a senhorita não nos contou?
- Claro que não. – Patrícia rolou os olhos, e fez uma expressão de que sua afirmação era óbvia.
- Hm... Sei... – Disse Índio desconfiado.
- Até você Índio!? A-a-ai gente, como pode acontecer algo se nem amigos, somos... Direito – Disse em um tom desanimado.
- Tudo bem então! – Bateu o sinal.
- Vamos para a aula, que a agora é prova.
- Pois é, semana de prova, como eu amo! – Disse Clara.
- Oh, dona Clara, o sarcástico aqui sou eu, entendido?
- Tudo bem Índio, se case com o sarcasmo e o traia com a ironia!
- He He He, bem engraçada você... Nós estamos aqui falando, mas... Alguém estudou?
- Relaxa Índio é filosofia!
- Relaxar? Na última vez que eu disse isso tirei CINCO, sabe o que é CINCO em FI-LO-SO-FIA? – Índio dizia desesperadamente enquanto subiam as escadas.
- O que Índio? – Disseram as quatro garotas juntas.
- Fim de carreira e...
- PATRÍCIA! – Seu coração gelou, obviamente conhecia aquele tom de voz que cintilava suavemente seu ouvido. Sem pensar duas vezes olhou para trás e com firmeza e um largo sorriso, encarou de longe aqueles olhos azuis, brilhantes como bolhinhas de gude no Sol, e esperou até alcançá-la. Rapidamente ele chegou, e a cumprimentou com um beijo na testa. – Ei, eu estou te chamando desde o corredor principal...
- Ah, não ouvi... Desculpa. – Sorriu.
- Mas, você...
- Se eu estou melhor?
- Como?
- As pessoas tiraram o dia para me perguntar isso – Riu, ouviu Índio cochichar algo com Victória, que em seguida a interrompeu.
- Pati a gente está indo, nos encontramos na sala.
- Ok pessoal.
- Bem, vamos também.
- Ok. – Patrícia, seguida por Alex, seguiu até a sala 12, onde um belo e bem preparado teste os esperava.
- Pati. – Patrícia estranhou Alex nunca a chamara de Pati, mas se virou para atender ao garoto. – É... Se você desmaiar de novo, saiba que eu estou aqui... Er, e boa sorte na prova.
- Ah-h Obrigada – Riu. E boa sorte pra você também. Patrícia entrou na sala, segui em direção ao seu lugar, sentou-se e pensou na atitude de Alex, ele estava sendo tão legal, parecia que eram amigos há anos, ou melhor, mais que amigos, uma espécie de namorados. Patrícia deixou de pensar nisso, deu os ombros, respirou fundo e esperou a professora Dulce (que chegou enquanto Patrícia estava em seu mundo) entregar as provas. Patrícia estava tranqüila, ela dominava bem filosofia, por mais que não estudasse para as provas. Recebeu a prova, e agradeceu a professora. Abriu a prova, analisou e começou a responder. Menos de dez minutos de prova, Patrícia sentiu algo em suas costas.
- Patrícia – Sussurrou Nicolas, que parecia estar desesperado. – Você sabe as alternativas? – A garota riu, e fez muito disfarçadamente que sim com a cabeça. – Me passa? – Patrícia encostou-se à cadeira, ficando mais próxima do garoto.
- Qual?
- Todas ora!
- Ok... Um letra b, dois a, três c, quatr... – Foi interrompida por um forte pigarro de Dulce, que olhava na outra direção da sala.
- Estão com dúvida em algo senhor Eliaquim e senhor Gabriel?
- Que isso “fessora”? Ta biruta?
- Olha o respeito garoto! Se eu tiver que chamar sua atenção mais uma vez, eu tiro sua prova! – Diante da bronca da professora, Nicolas viu uma oportunidade e insistiu:
- Continua aí Pati!
- Está b-bem. Quatro d, cinco d e seis b.
- Valeu lhe devo uma!
- Por nada.
A prova seguiu normalmente, Patrícia foi a segunda a terminar, seguida de Alex, que por coincidência entregaram no mesmo instante. No momento de entrega Patrícia recebeu um sorriso do garoto, sorriso este que fez congelar o coração de nossa protagonista. Passado à uma hora de prova, os alunos foram dispensados:
- Ué, por que estão nos dispensando mais cedo? – Perguntou Luciana aos colegas.
- Fiquei sabendo no corredor, que alguém estourou o cano de um vaso sanitário, agora a escola está sem água. – Disse Patrícia, que por mais que estivesse concentrada em seu caderno da “Rua da Lembrança” prestava atenção na conversa dos amigos.
- Com certeza foi a gangue “trem das onze”! – Exclamou Victória, que parecia estar certa do que havia dito.
- Mas foi nos banheiros dos professores e... – Nicolas foi interrompido por gritos desesperados que vinham do pátio.
- EU JÁ DISSE, FOI SEM QUERER, SÓ SUBI LÁ ERA UM PASSARINHO TÃO BONITINHO E DE UMA LINDA ESPÉCIE E... – Dizia desesperadamente professora Zilda (que por sinal estava com suas roupas encharcadas) para o diretor Moacir.
- Acalme-se professora, iremos resolver isso daqui a pouco.
- Ah, já devo imaginar o que houve professora Zilda louca por animais subiu no cano do vaso e vocês sabem gente, ela NÃO é magra, então... PLOFT! Estourou. – Dizia Clara, com um ar de sabichona.
- Não é à toa que você irá cursar direito... Mas um caso desse não é difícil desvendar – Disse Victória olhando e escutando atentamente a conversa do Diretor com Professora Zilda. Patrícia já desligada daquela conversa, não parava de pensar na tal Rua dos Caquizeiros, afinal onde ficava esse lugar e por que Alex tinha anotado essa rua em seu caderno? A garota queria muito saber, mas sua timidez a impedia de perguntar a Alex onde esta misteriosa rua ficava. Ainda pensando, não percebeu que Índio falava com ela:
- Pati, matéria que é pra estudar para as provas de Física e Português?
- Arroz, Bife à milanesa, batata frita e Coca-cola gelada.
- Ahn? Pati, você está prestando atenção?
- Sim! Você perguntou sobre o que vou almoçar né?
- Não! Mas, posso ir almoçar na sua casa é que eu adoro bidê a milanesa... Mas enfim, eu perguntei as matérias que tenho que estudar para as provas de amanhã.
- Ah, física e português!
- Isso é óbvio, mas o que tenho que...
- Ah sim! Física capítulos 32 e 33 e português a folhinha que ela deu.
- Ah Pati você é um anjo, bem é melhor eu correr e estudar logo, pra dar tempo de jogar CS! Tchau garotas, vejo vocês amanhã. – Índio cumprimentou as amigas com um beijo no rosto e foi para caso, ele morava a um quarteirão do colégio União.