sexta-feira, 17 de junho de 2011

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Como o dia passou rápido! – Exclamou Clara enquanto desviava de um buraco no chão do pátio. – Então pessoal, quem se deu bem na prova? – Perguntou com entusiasmo.

- EU! – Victória, Laura e Nicolas responderam, também estavam entusiasmados.

- Como sempre a prova do professor Vicente estava facílima!

- Pois é Índio, mas o mais impressionante é a prova da Valéria estar daquele jeito, geralmente ela pega no nosso pé, acho que é a primeira vez que chegarei perto de um dez em história. – Disse Victória.

- É gente, hoje estava assim, “papinha de neném”, e amanhã? Matemática e Física!

- Nem me fale Clara... – Disse Nicolas com uma ponta de tristeza na voz. – Dá até certo medo.

- Que isso gente, a gente tem a Vic aqui – Disse Laura abraçando Victória.

- Quem garante que eu vou ajudar vocês? – Victória usou uma voz séria ao proferir a frase.

- Tenho mais amigos, e temos punhos, e mais de dez batendo em alguém não é crime é linchamento... - Disse Laura também em um tom sério.

- Estou brincando não é gente! – Disse Victória emendando uma risada após a frase.

- Mas eu não – Laura fez uma cara séria, tal feição fez Victória ficar um pouco apavorada. Isso fez Laura, Clara e Nicolas desatarem de rir. – Ai Vic, você acha que a gente lhe bateria mesmo?

- Você fez uma cara tão... Tão... Monstruosa – Dobrou o lábio inferior para baixo. Este ficou tão grande que parecia ter sido picado por um maribondo.

- Oh dó – Disse Nicolas em um tom irônico. – Então, você vai ensinar matemática e física para a gente?

- Claro não é? Passem lá pelas três horas em minha casa. Índio se você me quiser te espero um pouco e a gente vai. – Clara e Laura se entreolharam, elas estavam pensando na mesma coisa, e não evitaram de fazer a mesma avaliação sobre a tal frase de Victória.

- HMMMMMMM...

- Vocês dois hein... – Disse Clara.

- Vocês estão viajando. – Disse Índio logo após atravessar o portão do colégio união. – Vamos lá Vic, vou trocar de roupa e pegar uns trocados para a passagem.

- Está bem... – Tchau gente até mais tarde. – Acenou para Clara e Laura.

- Até mais meninas – Nicolas fez o mesmo que Victória e caminhou, sendo seguido por Victória. Ao dobrar a esquina Victória percebeu que ela e Nicolas estavam sendo seguidos por um Palio preto, e pararam observando o carro. Uma janela se abriu era Alex, com uma cara preocupada.

- Ai meu Deus Alex! Pensei que fosse um sequestrador ou algo do tipo – Exclamou Victória colocando a mão esquerda na altura do coração.

- Desculpa Victória... Ah olá Nicolas – Sorriu, Nicolas acenou e retribuiu o olá. – Eu queria saber, se vocês sabem por que a Pati não veio hoje.

- Hm, ele a chama de Pati, e está preocupado, huuuum... – Nicolas sussurrou para Victória, a mesma não gostou, com isso ele ganhou um cutucão. – Ai! Severa!

- Idiota – Sussurrou. Bem Alex, a gente também não sabe. Vamos ligar para ela, quando chegarmos a casa dele – Indicou Nicolas com a cabeça.

- É? – Perguntou Nicolas, mas soube que foi uma pergunta inoportuna, pois recebeu um olhar de bronca de Victória – É! – Coçou a cabeça sem graça... Bom nós temos de ir.

- Ah, tudo bem... Querem uma carona?

- Nah, não, eu moro bem ali – Apontou para um prédio cor de creme que estava há uns sessenta metros de onde estavam.

- Ah... Então até mais pessoal, se souberem de algo me avisem, por favor.

- Avisaremos – Disseram Nicolas e Victória juntos.

- Até mais.

- Até – Disseram novamente juntos.

- Poxa, ele deve estar mesmo muito preocupado com a Pati...

- Love is in the air, evriuér ai lûk auraund – Balbuciou Nicolas.

- Seu inglês me espanta… - Disse com desdém.

- Me ame e seja feliz Victória – Disse Nicolas rolando os olhos.

- Você sabe que eu já faço isso... – Sussurou para o ar para o ar.

- O que você disse?

- Ah... Eu? Eu disse que, disse que... Nunca comi chouriço! É foi isso... – Ruborizou Victória, torcendo para Nicolas não perceber que ela estava sem graça.

- Pensei ter ouvido outra coisa... – Caminhou até o portão, deu lá ao porteiro Jacinto, ou como o chamavam Seu Cintão, que assistia a um programa de esporte.

- Ah, mas foi isso... E você, já comeu chouriço?

- Não! Eca! – Nicolas foi em direção ao elevador, esperou ele descer (o que não demorou muito). Eles entraram, Nicolas apertou o número sete que era o ultimo andar do edifício Rosa Madalena.

- Vir aqui me lembra o Sidney Magal – Riu.

- Rosa Madalena... Acho que Dona Carminha (Proprietária do edifício), é fã dele – Sorriu desajeitado, olhando Victória nos olhos, pensando no que Clara e Laura haviam dito. Vitória, no entanto desviou o olhar, e pigarreou umas três vezes seguidas.

- Estranho, está demorando demais para chegar. – Nicolas e Victória olharam para os botões, que estava parado no três, ao perceberem que estavam parados arregalaram os olhos de pânico. – Fiquei perdido lhe observando que nem percebi que havíamos parados, e eu acho que falei demais... Dane-se. – Victória arregalou os olhos, não mais de pânico, de surpresa e sorriu sem graça.

- Por que, v-você estava me observando?

- Sabe Vic – Disse com seriedade na voz. - Lembra do que a Clara e a Laura disseram sobre nós, então... Love is in the air, pelo menos para mim. – Sorriu. Victória sorriu e se aproximou de Nicolas, este deu um passo em direção à garota. Os dois ficaram bem próximos, porém antes do que muitos considerariam “gran finalle” Nicolas interrompeu:

– Eu nunca...

- Sério? E as baladas que você ia e beijava dez por noite?

- Era mentira...

- Para falar a verdade, eu também nunca beijei ninguém... – Riu.

- O-k, então nós aprenderemos sozinhos... – se aproximaram, até demais, por que bateram a testa.

- Ai! – Os dois exclamaram.

– Acho que os lábios que deveriam se tocar, não as testas... – Disse Victória passando a mão na testa, no lugar onde havia batido.

- É... Mais uma vez? – Victória confirmou com a cabeça. Dessa vez a testa não atrapalhou.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Descobertas

- Tomo banho de Lua, fico branca como a neve, se o luar é meu... Oi Pamonhas! – Dizia Alice enquanto abria o portão. – Até hoje não entendo por que a Pati lhe deu esse nome... – Pamonhas não prestava atenção, olhava fixamente para ela, esta lembrou o aviso de Patrícia “Quando Pamonhas nos olha fixamente é que ele quer nos avisar algo, esse gato, é diferente...” – Nunca acreditei nisso, mas... – suspirou, e abaixou – O que aconteceu Pamonhas? – O gato encostou a patinha no joelho de Alice, e começou a andar. Alice entendeu que era para segui-lo, e o fez. Ao ver a casa quieta concluiu que Patrícia já estava dormindo. Continuou a seguir Pamonhas, este parou ao lado do quarto de Patrícia:

- É para eu entrar? - Disse olhando de Pamonhas para o quarto da garota. – Ai meu Deus, o que eu estou falando com um gato! - Alice entrou e se deparou com Patrícia no chão, com manchas de sangue pela roupa. Olhou para o gato, se espantou, ele era mesmo diferente:

- Meu Deus, de novo não! – Pegou a garota no colo, sem pensar duas vezes, ela a colocou no banco de trás do carro, e foram direto ao hospital vinte e quatro horas.

Amanhecia um dia ensolarado, todos do período matutino do colégio União iam para o colégio para ter mais um dia de provas. Alex, que vocês conhecem bem, morava um pouco longe, na divisa do município de São Bernardo do Campo e Diadema, com sua avó Anita. Seus pais morreram em um acidente de carro quando ele tinha apenas três anos de idade, o que contribuiu para a conturbação na infância. No entanto o Alex não demonstra tristeza, pelo contrário é sempre alegre e sorridente, e acredita que seus pais estão em um lugar melhor. Além disso, ele é uma pessoa muito dedicada e bondosa, está sempre ajudando o próximo, por causa disso que Anita mima Alex. Em seu aniversário de dezoito anos o presenteou com um carro e uma matrícula em uma escola de direção, e hoje seis meses depois, ele dirige seu próprio carro, que não é um carrão, mas também não é uma lata velha, é um Gol G3 2001, preto, que sua avó conseguiu em um leilão da terceira idade, porém para o garoto significa mais do que qualquer Ferrari ultimo modelo. E é com esse Gol, que ele vai todos os dias para a escola. Em sua rotina que ele denomina ‘Pikachu’, pois nunca muda de fase, ele acorda às 6h e faz o que tem que fazer e sai de casa às 6h30min. Sua rotina é assim desde que conseguiu bolsa no colégio União, ou seja, há três anos:

- Tchau vó, até mais tarde! Vai querer que eu passe no seu Luís?

- Hoje não Leléquis, ele só vai querer os Caquis semana que vem... – Sorriu.

- Então tudo bem, até mais tarde vá.

- Deus te abençoe. – Alex entrou em seu carro, Anita abriu o portão da com o controle. Alex achou engraçado, pois a avó se divertia com aquela tecnologia, deu um breve aceno, e saiu, Anita ficou observando o Gol se distanciar e disse a si mesma:

- Lúcia e Humberto, estão vendo? Aquele é seu filho! – Sorriu.

Alex em seu carro, ligou o rádio e foi ouvindo as notícias do dia, iria ser uma terça-feira ensolarada. Pensou um pouco nas provas do dia, história e geografia, por mais tediosas que eram as matérias, ele entendia bem, pensou até em se formar nessa área, mas não, a arte de interpretar a vida real estava em seu sangue.

- Hoje é terça feira, quem pode aproveita, quem como eu não pode, vai para a escola fazer prova e no fim se... Eu me remexo muito, eu me remex... – Victória gritava, porém (para a sorte de alguns que acompanhavam tal cena horrorizados), foi interrompida por Luciana.

- Victória, o que você tomou?

- Você sabe como eu fico quando tem prova de HISTÓRIA e GEOFRAFIA!

- É tão fácil!

- Prefiro mil vezes fazer várias provas sobre exatas do que isso...

- Você nasceu ao contrário só pode, gosta de exatas e...

- Gosto não, apenas tenho facilidade... – Nicolas a olhava com uma cara de “Acredito”.

- O-K, eu AMO Matemática, só isso.

- Está bem...

- Mas, mudando de assunto, gente, são quase 7h30min, e a Patrícia ainda não chegou...

- Estranho ela nunca chega tarde. – Lembrou Clara.

- Depois vou ligar pra ela, o sinal vai tocar, em quatro, três – O sinal toca. – Um dia eu acerto.

- Não adianta Victória, só eu tenho o dom – Disse Clara se vangloriando, pois nas três vezes que contou os segundos para o sinal bater, ela acertou.

Alex havia chegado há quinze minutos, como sempre tinha estacionado o seu carro ao lado do, do diretor (o diretor dizia que queria vigiá-lo, por ser o único a ir de carro para o colégio), e ia ao pátio falar com seus colegas e observar as pessoas. Porém nesse dia seus olhos não encontraram Patrícia escrevendo, nem conversando com seus amigos hiperativos:

- Será o que ouve com ela? – Disse Alex num pensamento alto, olhando para Clara, Victória, Luciana e Nicolas, que seguiam na frente. Foi inevitável Conrado, amigo de Alex, que também era fã de Artes Cênicas, ouvir.

- Ela quem? – Perguntou Conrado com um tom muito curioso pro sinal, característica que dizia ele difícil de evitar.

- Ah, érm, hm, Ah Conrado, érm, ninguém... É um texto que eu estou criando. – Sorriu.

- Quando estiver pronto me mostra. – Alex sabia que isso queria dizer um “depois você me fala”, às vezes Alex comparava a relação dos dois com a de duas garotas amicíssimas.

- Ah... Pode deixar – Forçou um riso. Ao entrar na sala, se perdeu em pensamentos, e queria que a aula acabasse o mais rápido possível, para poder ir à casa de Patrícia verificar o que houve.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

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Já beirava oito horas da noite, depois de dez encomendas e um dia cansativo, Patrícia foi para casa sozinha, já que sua mãe ficava até as dez da noite na loja. Fez o mesmo caminho que mais cedo e logo chegou a sua casa, abriu o portão, deu um olá a Pamonhas, este respondeu com um miado.

- Está com fome ou sede não é? Venha aqui comigo, vou por comida pra você. – Como esperado, o gato a seguiu, parecia ansioso para abocanhar sua ração (que ainda não tinha acabado) e sua água. – Seu danadinho, sempre espera a ração nova, e eu estou gostando de ver, bebeu a água dos dois potes! – Colocou água em um dos potes, e o colocou no chão. Pamonhas pulou para alcançar o pote, que derramou um pouco de água, não demonstrando interesse ao que havia feito, começou a beber a água. – Se quiser mais alguma coisa dá uma miadinha, tudo bem? – Patrícia foi para o seu quarto terminar de digitar “Rua da lembrança”, enquanto Pamonhas se esparramava no sofá. A garota se sentou, e abaixou para ligar o estabilizador, ao fazer este movimento, uma forte dor de cabeça lhe surpreendeu, mas a vontade de entrar no mundo da “Rua da lembrança” foi mais forte que essa dor. Desligou-se do mundo real, e começou a criar e digitar, em sua história, Mariana arranjara um emprego em uma lanchonete. Todos os dias ela saia de casa às sete e meia da manhã e ia de bicicleta ao trabalho. Ela trabalhava na lanchonete “Bom de garfo”, que era muito famosa na região de Americana, lá trabalhava como garçonete, fazia um expediente de oito horas e ganhava pouco mais que um salário mínimo, o que já era o bastante para seus objetivos que era fazer cursinho, tirar carteira de motorista e obviamente sair.

Mariana saiu de casa às sete e meia, há uma semana sua rotina era essa. Pegou suas coisas, montou em sua bicicleta vermelha e seguiu ao centro da cidade de Americana. Nesse percurso ela passava por uma rua, que tinha uma casa extremamente linda, a primeira vez que Mariana viu tal casa, quase caiu da bicicleta de tão linda que era. Mal sabia Mariana, que uma casa linda, guardava uma história que muitos rotulariam de feia, ou triste. Essa história, vocês logo irão conhecer.

Patrícia sentiu uma forte dor de cabeça, porém isso não a impediu de digitar.

Depois de catorze minutos de pedalada, Marina chegou no “Bom de garfo”, deu bom dia a Seu Adamastor, dono do estabelecimento, que visitava a loja todos os dias:

- Bom dia Marina!

- Bom dia Seu... – Adamastor repreendeu, Marina sabia, que ele não gostava de ser chamado de Seu, Senhor, ou qualquer outro pronome de tratamento a não ser você. – Bom dia, ADAMASTOR! – Sorriu.

Patrícia escreveu sobre a rotina de Marina, e sobre as fofocas que Dolores, que tinha quase a mesma idade de Marina, a gerente contava pra ela:

- Marina, você não sabe! Olha lá aquele moço, o de social! Não é um moço... É UMA MOÇA! – Dolores ou Lola, como era chamada, fez cara de espanto.

- O que há de mais nisso Lola?

- COMO ALGUÉM PODE DEIXAR DE GOSTAR DE HOMENS!? – Lola falou tão alto que chamou a atenção de alguns clientes, inclusive do tal moço, ou moça.

- Sobra mais para nós, não é? – Marina sorriu.

- menos DUAS, ou dois concorrentes, afinal, o tal ali tem namorada. – Disse incrédula.

- Esse é o mundo atual Lola, cada um faz a escolha que quer... Tenho que ir, dois clientes chegaram!

Empolgada, Patrícia havia se esquecido da dor de cabeça, porém quando sua vista ficou turva ela logo lembrou e mais que isso, sentiu gosto de sangue, olhou pra baixo gotas de sangue decoravam sua calça, tocou seu nariz, e viu suas mãos vermelhas. Levantou-se para ir buscar papel, porém de turva, sua vista escureceu e sentiu um forte impacto. A garota havia desmaiado.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

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Minutos Após a partida de Índio, as garotas se despediram e foram para casa, como de costume Patrícia foi até ao ponto e esperou seu ônibus para o centro de Santo André.

A viagem durou quinze minutos, e foi tranquila como sempre. Patrícia desceu do ônibus, saiu da estação e foi ao shopping visitar sua mãe e tomar um delicioso milk-shake de ovomaltine. Fui até a loja “Patrícia” onde sua mãe vendia doces em gerais, mas o mais pedida era a trufa surpresa, que tinha um sabor que segundo os clientes era maravilhoso.

- Oi mãe!

- Oi querida o que está fazendo aqui?

- Fomos dispensados, um cano estourou, então a escola ficou sem água.

- Nossa! Mas vocês conseguiram terminar a prova?

- Conseguimos sim, aliás, estava muito fácil!

- Ai que bom. Ah filha, sexta tenho que lhe levar ao médico pra fazer os exames que foram pedidos...

- A que horas?

- Às dez da manhã.

- Ainda bem que só é prova de Inglês, devo terminar antes das nove.

- Ok. Agora vá para casa, e depois do almoço volte aqui para me ajudar, os marshmallows que eu pedi semana passada vão chegar hoje, quero que você os arrume nas prateleiras.

- Ah mãe, por que não manda a Dorinha fazer isso?

- Ela faltou, me ligou e disse que está com virose. – Patrícia bufou e cruzou os braços, queria escrever mais e pesquisar a tal Rua doa Caquizeiros. – Será bem recompensada se fizer isso... – Patrícia levantou a sobrancelha direita e sorriu, por mais que a chantagem valesse à pena, iria fazer isso não só por ela, mas também pela a mãe, a qual amava muito.

- Está bem mãe, eu arrumo – Sorriu e a abraçou. – Bem, vou lá almoçar e trocar de roupa, já volto! – Beijou- a e saiu da loja. Antes de ir para casa, Patrícia foi ao Bob’s, comprou um Ovomaltine médio e saiu do shopping se deliciando da sobremesa. Morava na Rua das Esmeraldas, que ficava a menos de cinco minutos do shopping. Rapidamente chegou à sua casa, que era a terceira do lado esquerdo, abriu o portão entrou e viu que se gatos Pamonhas o esperava.

- Pamonhas, está com fome é? – O pegou no colo, e foi ver se tinha comida no potinho de Pamonhas (Que não era pequeno, pois Patrícia e sua mãe passavam a manhã inteira fora). – Ah, sede... Vou buscar água pra você, vem! – O gato a seguiu, e quando se deparou com seu potinho de água cheio, se deliciou e tomou mais da metade da água que Patrícia havia ali colocado.

- Estava com sede mesmo. Já que são apenas dez horas – balbociou – Vou assistir um pouco de televisão, vem comigo Pamonhas lindo? – O gato a seguiu, parecia a entender perfeitamente. Patrícia jogou sua mochila no sofá e foi trocar de roupa, colocou um vestido de cor salmón que passava do joelho, o qual ela amava, calçou seu all star e foi para a sala assistir a televisão e esperar o tempo passar, ou até dar fome. Deitou-se no sofá, ligou a televisão, não tinha nada de interessante, olhou para a sua bolsa e sem pensar duas vezes pegou o “Rua da lembrança”, desligou a televisão e correu para seu quarto (mais uma vez Pamonhas a seguiu). Lá, ligou o computador.

- Anda, anda! – Dizia ao computador enquanto ele ligava. Finalmente a máquina ligou e Patrícia pode digitar seu quem sabe futuro livro. Quando estava na décima página, ouviu seu estômago roncar. – Ok! Hora do almoço. – Salvou o arquivo como “rdl” e desligou o computador antes de ir para a cozinha, disse para o gato, que como sempre a seguia:

- Bem agora a mamãe vai comer, se quiser venha, senão vá deitar na sua caminha ou fica na sala, ah tanto faz, vou lá. – Como esperado o gato não a obedeceu, e a seguiu até a cozinha. Enquanto isso a garota abriu a geladeira, pegou a coca-cola, a panela do arroz, onde um bife a milanesa clandestino esperava ser esquentado junto ao arroz, e as batatas fritas no congelador.

– Hora do desastre – Disse olhando para o pacote de batatas ainda fechado. Ela pegou uma panela e a derrubou. – Parabéns Patrícia Estabanada Figueredo! Só espero não ter amassado a panela, se não minha mãe me mata, não é Pamonhas? - O gato miou, e estacionou no meio da cozinha, ficou observando a dona preparar o almoço, parecia que sabia que logo menos iria receber um pedaço de bife, Patrícia sempre dava um pedaço da mistura para Pamonhas.

- Três copos de óleo, e fogo alto. Um pouco de água no arroz e fogo baixo. Agora é só abrir a embalagem, pegar algumas batatas, e torcer para que nenhuma queime, ou que eu me queime com respingos de óleo. – O óleo parecia já estar fervendo, e com seu jeito desajeitado, Patrícia jogou com cuidado as batatas que começaram a fritar. – Uma parte da missão está cumprida! Bem, agora é torcer para que elas não queimem. – Seu desafio com o fogão terminou cinco minutos depois, O bife e o arroz estavam com uma cara muito boa, e as batatas, apenas três queimaram, as três ultimas que ela havia colocado na panela.

- Até que não foi um desastre total... Missão cumprida, o que achou disso agente Pamonhas? Mereço minha recompensa agora não é? UM COPO ENORME SUPERHIPERMEGA GELADO DE COCA-COLA! – Abriu a tampa da garrafa que soltou um “tss” – O barulho da vitoria! Ah... – A virou sobre copo e despejou o conteúdo até enchê-lo.

Hm, agora sim! – Ouviu o miado de Pamonhas. – Por isso que você me seguiu, haha. – Cortou um pedaço do bife, deu para o gato. Começou a comer e em dez minutos já tinha terminado. Lavou, enxugou e guardou a louça. Olhou no relógio, o mesmo marcava meio-dia e trinta e três, já era hora de ir à loja de sua mãe para ajudá-la.

- Ah Pamonhas tenho que ir, vou abastecer seu potinho. – Correu até a lavanderia e pegou o saco de ração, despejou na vasilha do gato, fez o mesmo na parte da água. – Bem, agora a mamãe tem que ir, comporte-se, te amo. – O gato ficou encarando o portão, como se, se ele olhasse para ele, a dona voltaria, mas o esforço do bichano foi em vão.

- Pensei que você não viria!

- Ah mãe, você disse depois que eu almoçasse, eu não estava com fome às dez da manhã!

- Ok eu a perdôo. Agora vá ao estoque abra as caixas de marshmallows, pegue os pacotes e preencha a fileira laranja, pode ser? – Patrícia assentiu. E foi fazer o que lhe fora ordenado, minutos depois, após ver tanto marshmallow, ela ficou com vontade de comer alguns, correu e foi perguntar à sua mãe se ela podia “beliscar” um doce.

- Posso mãe? – Disse mostrando um pacote de marshmallow.

- Eu sabia – Riu. – Sim, mas só esse pacotinho! – Rapidamente Patrícia abriu o pacote e de boca cheia soltou um “Eu te amo” para a mãe, que riu e fez um gesto negativo com a cabeça. O dia na loja de doce foi agitado, uma encomenda de cinquenta trufas surpresa foi feita, e o trabalho sobrou para quem? Obviamente que para Patrícia. Ela embalou cinco caixas com dez trufas surpresas cada, em meia hora, não agüentava ver tanta trufa. Após a esse trabalho, que ela denominava escravo, vieram mais três encomendas, que respectivamente eram: Uma cesta média com doces diversos, trinta saquinhos sendo dez com jujubas, dez com marshmallows, cinco com bolinhas de chocolate e cinco com mini suspiros e por fim um especial “presente amoroso” com rosas de bala, pirulitos de coração e várias trufas e bombons de diversos sabores com formas de coração.

- Esse está apaixonado, sortuda essa... Qual é o nome dela mesmo, mãe?

- A-les-san-dra. – Disse enquanto escrevia no cartão. Toda essa arrumação durou duas horas e meia, claro que ouve pausas, pois Patrícia não resistia aos doces, segundo sua mãe a loja poderia ir a falência só por causa das “beliscadinhas” de Patrícia.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Suspeitas

Oito horas se passaram; Patrícia ainda estava desacordada, havia ido para o hospital, os médicos disseram que não era nada demais e que iria continuar desacordada, por causa do efeito do medicamento.

- Obrigada por tê-la trazido – Dizia Dona Alice com voz chorosa.

- Por nada. – Alex sorriu. – Será que ela vai demorar a acordar?

- Espero que não – Disse olhando para a filha, sem ao menos saber que Patrícia estava acordada e ouvira as três ultimas frases do diálogo. A garota abriu os olhos lentamente, viu a figura embaçada da mãe e de Alex, não sabia onde estava não se lembrava do que aconteceu.

- Mãe? – Disse com a voz falha.

- Ai graças a Deus – a abraçou.

- O- o que aconteceu?

- Você desmaiou na escola e eu te trouxe para cá – Disse Alex.

- Ah O-obrigada Alex – sorriu. O garoto retribuiu o sorriso. Doutor Pacheco entrou na sala.

- A bela adormecida acordou! Bem Dona Alice, acho que sua filha já pode ir, mas antes vamos encaminhá-la para fazer uma bateria de exame, pois afinal pelo que a senhora disse, essa não foi a primeira vez que a senhorita Patrícia desmaiou, mas pelo que vejo com um namorado atencioso assim – Olhou para Alex - Ela não ficará descuidada. Patrícia soltou um riso que só ela pode escutar, e sentiu que estava corando, olhou para Alex, o viu dizer algo em voz baixa, algo que, assim como seu riso, só ele pode escutar.

Patrícia foi liberada, os três foram até o estacionamento e adentraram ao carro, Alex e Patrícia atrás e Alice no banco do motorista. Ainda entorpecida pelo medicamento, e na primeira curva acabou encostando sua cabeça nos ombros de Alex, que a envolveu com seus braços. Alice acompanhou a cena pelo retrovisor e sorriu. Minutos depois eles chegaram à casa de Patrícia – que dormia profundamente – Alex a pedido de Dona Alice, levou a garota até o quarto dela, a colocou na cama e lhe deu um beijo na testa. Alex desceu as escadas e encontrou uma Dona Alice sorridente:

- Agradeço por cuidar da minha filha, vejo que ela arranjou um bom namorado, e nem para me contar! – O garoto sorriu.

- Não somos namorados, apenas colegas – Sorriu. Ele disse a verdade, mas algo dentro dele, o dizia para confirmar que eram namorados.

- Ah! Me desculpa – soltou um riso encabulado.

- Nada não... Bem tenho que ir, melhoras à Patrícia. – Sorriu, virou-se e andou em direção a porta a abriu, e se foi. No caminho até sua casa (que não era muito longe da de Patrícia) se perdeu em pensamentos, estes eram voltados a Patrícia, coisas aconteceram em menos de uma semana e ele sentiu que estava se aproximando dela, mas não apenas fisicamente e sim sentimentalmente. Alex era um garoto duro na queda, não se apaixonava fácil, sofrera muito há alguns anos atrás e esse sofrimento o fazia sentir medo de não ser correspondido novamente.

Quatro e meia da manhã Patrícia acordou, sentia que tinha dormido mais de 12 horas, estava sem sono e cheia de energia. Enquanto não chegava a hora de se levantar, ficou em sua cama olhando para o escuro e pensando no dia anterior. Não se lembrava de muita coisa, mas o pouco que se lembrava era o suficiente para deixá-la feliz. Lembrou-se da volta do hospital, quando sentiu os braços de Alex a envolvendo, soltou um riso, um sorriso e só de lembrar-se deste momento sentiu as velhas e conhecidas borboletas no estômago. Após vários pensamentos, ficou encarando o escuro, até dar seis e meia.

- Até que passou rápido. – Disse encarando o relógio e sentou-se na cama. Firmou os pés no chão, se levantou, constatando que estava melhor, pegou suas roupas e rumou ao banheiro. Tomou um banho rápido, foi à cozinha tomou café-da-manhã, se despediu do quarto vazio de sua mãe e foi para a escola. A mesma rotina a cercava, até o momento em que escutando música dentro do ônibus, se lembrou do seu caderno e de sua história, como estava já estava chegando, Patrícia decidiu o pegar quando chegasse ao colégio. Menos de cinco minutos, Patrícia deu sinal fazendo o ônibus parar e abrir a porta para a garota descer. Andou uns três minutos e chegou adentrou ao colégio, como sempre era uma das primeiras a chegar. Foi se sentar no lugar de sempre, rapidamente abriu sua mochila e pegou o caderno, que já estava um pouco amassado. Ela abriu e passou os olhos para relembrar da história, havia parado quando Marina a protagonista chegara a uma nova cidade. Ficou folheando e pensando em como continuar, quando se deparou com uma anotação, cuja caligrafia de quem a escreveu ela conhecia muito bem, era de Alex. A tal anotação indicava uma rua, que despertou o interesse de Patrícia:

Rua dos Caquizeiros

- Rua dos Caquizeiros? – Disse. – Ah, deixa pra lá. – Deu os ombros e continuou a escrever:

Ficara desesperada, queria seus amigos e sua cidade antiga de volta, mas sabia que não poderia voltar, afinal, a empresa de seu pai o transferiu para lá, e nada poderia fazê-lo voltar. Marina já era formada no ensino médio, tinha o sonho de ir para faculdade, mas devido à mudança perdeu as datas dos vestibulares...

- Acho que a minha criatividade se esgotou, pelo menos por agora. – Pensou alto, e guardou o caderno. Ficou pensando na tal Rua dos Caquizeiros, mas seus pensamentos se voltaram a Victoria, que berrava como uma buzina de carnaval.

- PATRICIAAAAAAAAAAA! – Berrava Victória, que correu e pulou em Patrícia. – Você está melhor amiga?

- Desse jeito ela não vai melhorar nunca Vic. – Disse Nicolas em um tom sarcástico.

- Vai ver se eu estou na esquina Índio. Mas e ai Pati, você está melhor?

- Acho que sim – Disse com dificuldade, por causa do peso de Victória.

- Ah, que...

- PATRICIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! – Luciana e Clara corriam e gritavam, todos olhavam para elas, Patrícia sentiu um pouco de vergonha alheia, mas sorriu, pois sabia que tinhas os mais loucos e melhores amigos.

- Perdeu seu prêmio de loucura Vic! – Disse Índio, recebendo um rolar de olhos de Victória.

- Oi gente! – Disseram Luciana e Clara em um tom animado.

- Como você está Patrícia?

- Está melhor?

-Tudo bem?

- Acho que assim ela não fala né? – Disse Victória com autoridade.

- Ai mandona! Mas Pati, ta melhor?

- Estou sim gente, só foi um desmaio.

- E um sangramento de nariz...

- Da na mesma... Fui ao médico e estou melhor!

- A gente sabe que você foi ao médico, a gente viu um Alex muito desesperando lhe levando.

- Cof cof – Tossiu Victória.

- O que vocês estão insinuando? – Disse Patrícia forçando um olhar de dúvida.

- Há algo entre vocês dois, que a senhorita não nos contou?

- Claro que não. – Patrícia rolou os olhos, e fez uma expressão de que sua afirmação era óbvia.

- Hm... Sei... – Disse Índio desconfiado.

- Até você Índio!? A-a-ai gente, como pode acontecer algo se nem amigos, somos... Direito – Disse em um tom desanimado.

- Tudo bem então! – Bateu o sinal.

- Vamos para a aula, que a agora é prova.

- Pois é, semana de prova, como eu amo! – Disse Clara.

- Oh, dona Clara, o sarcástico aqui sou eu, entendido?

- Tudo bem Índio, se case com o sarcasmo e o traia com a ironia!

- He He He, bem engraçada você... Nós estamos aqui falando, mas... Alguém estudou?

- Relaxa Índio é filosofia!

- Relaxar? Na última vez que eu disse isso tirei CINCO, sabe o que é CINCO em FI-LO-SO-FIA? – Índio dizia desesperadamente enquanto subiam as escadas.

- O que Índio? – Disseram as quatro garotas juntas.

- Fim de carreira e...

- PATRÍCIA! – Seu coração gelou, obviamente conhecia aquele tom de voz que cintilava suavemente seu ouvido. Sem pensar duas vezes olhou para trás e com firmeza e um largo sorriso, encarou de longe aqueles olhos azuis, brilhantes como bolhinhas de gude no Sol, e esperou até alcançá-la. Rapidamente ele chegou, e a cumprimentou com um beijo na testa. – Ei, eu estou te chamando desde o corredor principal...

- Ah, não ouvi... Desculpa. – Sorriu.

- Mas, você...

- Se eu estou melhor?

- Como?

- As pessoas tiraram o dia para me perguntar isso – Riu, ouviu Índio cochichar algo com Victória, que em seguida a interrompeu.

- Pati a gente está indo, nos encontramos na sala.

- Ok pessoal.

- Bem, vamos também.

- Ok. – Patrícia, seguida por Alex, seguiu até a sala 12, onde um belo e bem preparado teste os esperava.

- Pati. – Patrícia estranhou Alex nunca a chamara de Pati, mas se virou para atender ao garoto. – É... Se você desmaiar de novo, saiba que eu estou aqui... Er, e boa sorte na prova.

- Ah-h Obrigada – Riu. E boa sorte pra você também. Patrícia entrou na sala, segui em direção ao seu lugar, sentou-se e pensou na atitude de Alex, ele estava sendo tão legal, parecia que eram amigos há anos, ou melhor, mais que amigos, uma espécie de namorados. Patrícia deixou de pensar nisso, deu os ombros, respirou fundo e esperou a professora Dulce (que chegou enquanto Patrícia estava em seu mundo) entregar as provas. Patrícia estava tranqüila, ela dominava bem filosofia, por mais que não estudasse para as provas. Recebeu a prova, e agradeceu a professora. Abriu a prova, analisou e começou a responder. Menos de dez minutos de prova, Patrícia sentiu algo em suas costas.

- Patrícia – Sussurrou Nicolas, que parecia estar desesperado. – Você sabe as alternativas? – A garota riu, e fez muito disfarçadamente que sim com a cabeça. – Me passa? – Patrícia encostou-se à cadeira, ficando mais próxima do garoto.

- Qual?

- Todas ora!

- Ok... Um letra b, dois a, três c, quatr... – Foi interrompida por um forte pigarro de Dulce, que olhava na outra direção da sala.

- Estão com dúvida em algo senhor Eliaquim e senhor Gabriel?

- Que isso “fessora”? Ta biruta?

- Olha o respeito garoto! Se eu tiver que chamar sua atenção mais uma vez, eu tiro sua prova! – Diante da bronca da professora, Nicolas viu uma oportunidade e insistiu:

- Continua aí Pati!

- Está b-bem. Quatro d, cinco d e seis b.

- Valeu lhe devo uma!

- Por nada.

A prova seguiu normalmente, Patrícia foi a segunda a terminar, seguida de Alex, que por coincidência entregaram no mesmo instante. No momento de entrega Patrícia recebeu um sorriso do garoto, sorriso este que fez congelar o coração de nossa protagonista. Passado à uma hora de prova, os alunos foram dispensados:

- Ué, por que estão nos dispensando mais cedo? – Perguntou Luciana aos colegas.

- Fiquei sabendo no corredor, que alguém estourou o cano de um vaso sanitário, agora a escola está sem água. – Disse Patrícia, que por mais que estivesse concentrada em seu caderno da “Rua da Lembrança” prestava atenção na conversa dos amigos.

- Com certeza foi a gangue “trem das onze”! – Exclamou Victória, que parecia estar certa do que havia dito.

- Mas foi nos banheiros dos professores e... – Nicolas foi interrompido por gritos desesperados que vinham do pátio.

- EU JÁ DISSE, FOI SEM QUERER, SÓ SUBI LÁ ERA UM PASSARINHO TÃO BONITINHO E DE UMA LINDA ESPÉCIE E... – Dizia desesperadamente professora Zilda (que por sinal estava com suas roupas encharcadas) para o diretor Moacir.

- Acalme-se professora, iremos resolver isso daqui a pouco.

- Ah, já devo imaginar o que houve professora Zilda louca por animais subiu no cano do vaso e vocês sabem gente, ela NÃO é magra, então... PLOFT! Estourou. – Dizia Clara, com um ar de sabichona.

- Não é à toa que você irá cursar direito... Mas um caso desse não é difícil desvendar – Disse Victória olhando e escutando atentamente a conversa do Diretor com Professora Zilda. Patrícia já desligada daquela conversa, não parava de pensar na tal Rua dos Caquizeiros, afinal onde ficava esse lugar e por que Alex tinha anotado essa rua em seu caderno? A garota queria muito saber, mas sua timidez a impedia de perguntar a Alex onde esta misteriosa rua ficava. Ainda pensando, não percebeu que Índio falava com ela:

- Pati, matéria que é pra estudar para as provas de Física e Português?

- Arroz, Bife à milanesa, batata frita e Coca-cola gelada.

- Ahn? Pati, você está prestando atenção?

- Sim! Você perguntou sobre o que vou almoçar né?

- Não! Mas, posso ir almoçar na sua casa é que eu adoro bidê a milanesa... Mas enfim, eu perguntei as matérias que tenho que estudar para as provas de amanhã.

- Ah, física e português!

- Isso é óbvio, mas o que tenho que...

- Ah sim! Física capítulos 32 e 33 e português a folhinha que ela deu.

- Ah Pati você é um anjo, bem é melhor eu correr e estudar logo, pra dar tempo de jogar CS! Tchau garotas, vejo vocês amanhã. – Índio cumprimentou as amigas com um beijo no rosto e foi para caso, ele morava a um quarteirão do colégio União.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ele, dele, nele

Eram nove da noite, Patrícia estava concentrada, decidira que queria, por que queria escrever um livro, um livro sobre “Rua da lembrança” tirara aquele nome de “Memory Lane” música de sua banda favorita McFLY. Tinha o intuito de escrever sobre seu mundo utópico, sobre uma rua, em que suas lembranças e desejos se tornassem realidade.

- Nossa! MEIA-NOITE E MEIA! Me empolguei demais, preciso dormir. – Desligou a luz, deitou-se e como sempre, pegou rápido no sono. Patrícia ouviu seu despertador tocar, eram seis da manhã, não conseguiu abrir os olhos, estavam pesados de sono, o frio ajudava a preguiça permanecer em seu corpo. Lembrou do que havia escrito, levantou-se rapidamente, afinal não perderia um dia de aula, não poderia ficar sem ver ELE. Tomou um banho rápido, alimentou-se e foi para a escola. Estava frio, um frio que Patrícia considerava agradável, mas não seria agradável sentar nas poltronas frias do ônibus. Como esperado sei e meia ele chegou, estava vazio, consequentemente mais frio, porém foi esquecido pela garota, que entrou em seu mundo de ilusão. Viajava por vários mundos, focados em duas coisas: A continuação de “Rua da lembrança” e NELE, mas quem era esse ELE, NELE ou AQUELE? Meu caro leitor deixá-lo-ei curioso, no momento certo descobrirá quem é ELE.

Quinze minutos depois, Patrícia percebera que seu ponto era o próximo, levantou-se, pediu licença as pessoas que estava em pé, chegou a porta, o ônibus parou abriu a porta, ela desceu e caminhou em passos largos e rapidamente e adentrou ao colégio. Tinham dez ou onze pessoas, de classes e anos diferentes de Patrícia, apenas os conhecia de vista, por causa disso foi direto ao banco, sentou-se não pensou duas vezes e pegou seu caderno que trazia colado na capa letras recortadas de jornais e/ ou revistas, formando a frase “Rua da lembrança”, o abriu, pegou seu lápis e começou a escrever e pensar alto.

“- Marina chegou naquela cidade há três dias, ficara desesperada, queria...”

- O quê que ela queria? – Pois o lápis na boca num gesto de pensamento, a garota estava tão entretida, que não ouvira Victória falando.

- Pati! Hey... Patrícia! – Uma garota baixinha, de cabelos pretos com mechas vermelha (essas realçavam o verde de seus olhos), pele branca como a neve, berrava, essa garota era Victória, era muito próxima de Patrícia, eram como Irmãs.

- Ah! Oi Vic, desculpa estava viajando... - Disse voltando a si.

- Percebi – riu. Ei o que você está fazendo? – Disse apontando para o caderno.

- Ah, isso? Uma historinha boba, nada de mais.

- Me deixa ver! – Puxou o caderno, e o folheou. Tinham quinze páginas, se admirou. – Historinha? Imagina se fosse uma “Historiona” – Disse fazendo gestos exagerados.

- Ah, nem é tudo isso Vic!

- Posso ler?

- Sim – disse dando os ombros. Tinha lição hoje?

- Se tinha, eu não fiz. Bem, vamos ver se você é uma boa autora – riu. Abriu o caderno e começou a ler. À medida que lia, seus olhos brilhavam. Patrícia se impressionou, estaria seu esboço de livro, tão bom assim? – A-MI-GA, que linda!

- Ah, você está dizendo isso, só pra me agradar, tenho certeza.

- Patrícia, olha pra mim, você acha que eu mentiria pra você? – Patrícia olhou para ela, e não disse nada. – Quem cala consente.

- Está bem, vou fingir que acredito em você. Agora me diga uma cidade, uma não, duas!

- Me deixa pensar – Disse com expressão de pensamento.

- Nacional? – Patrícia fez um gesto confirmando a pergunta. – Ah faz de Campinas e São Paulo. Patrícia gostou, fez uma cara de satisfeita e disse:

- Pode ser – Olhava para o portão de entrada, estava esperando alguém, que vocês já conhecem, ELE. Por mais que não se falassem (muito), a presença dele já valia mais que mil palavras trocadas com aquela pessoa a quem ela amava.

- Por que você olha tanto pra lá? – Perguntou Victória, mas não foi respondida. – Pati? PATRÍCIA! – Patrícia se assustou com o grito de Victória, e voltou à realidade.

- Que foi?

- Você está bem? – Perguntou colocando a mão na testa de Patrícia, para ver se estava com febre.

- Claro que sim!

- Estão por que está tão distante? – Sentou-se ao lado dela.

- Ah não sei, você sabe que eu sou meio distraída?

- Sim, você é MEIO, mas agora você está TODA distraída.

- Deve ser por que hoje é segunda. Mas enfim, o que você tinha perguntado? – Virou-se para Victória.

- Por que você olha tanto para o portão.

- Ah, estou vendo se o pessoal está chegando – Coçou a orelha, havia mentido.

-Hm... – Victória sabia que era mentira, mas não perguntou nada sobre.

- Olha lá! O Nicolas e a Luciana! – Olhou no relógio. – Chegaram cedo! – Uma menina e um menino se aproximavam ambos tinham altura mediana, Luciana era ruiva, tinha olhos castanho mel e várias sardas, Nicolas parecia um Índio, não é à toa que esse era seu apelido.

- Ola pessoal! – Disse Luciana e Nicolas, cumprimentando Victória e Patrícia com um beijo no rosto.

- Oi – Disseram Victória e Patrícia juntas.

- O que é isso Pati? – Disse Luciana, apontando para o caderno, que estava nas mãos da garota.

- Ah isso? Nada de mais!

- Para de ser modesta Pati! Além de ter quinze folhas, é uma história bonita e muito bem escrita, estou ansiosa, que ler a continuação. – Esboçou um sorriso amarelo.

- Ai, eu quero ler!

- Pode ler.

- Posso ler depois Pati?

- Pode sim Índio. – Luciana leu, e assim como Victória, ficara impressionada com o jeito de escrever e de quão criativa era Patrícia. Não sabiam como a garota ficava apenas com seis ou sete, nas redações que a professora Tânia, passava. Depois disso Índio leu. No horário do intervalo mais sete pessoas leram a história de Patrícia, que estava começando a ficar famosa entre os alunos do 3º ano. Ao voltar para sala, Patrícia se impressionara com o número de pessoas que queriam ler a sua história, se impressionou mais ainda com isso:

- Oi, Patrícia? – A garota logo reconheceu aquela voz, que era rouca, entrava suave em seus ouvidos, fazia seu coração parar, fazia sua barriga gelar, fazia sua mete ficar vazia e cheia DELE.

- O-Oi A- Lex, tudo bom? – Disse sem encarar o garoto nos olhos, “e que olhos!” Pensava Patrícia, eram azuis como o mar. Admirava a perfeição de seus cachinhos que realçavam seu rosto pálido. Alem dessas características, Patrícia admirava o carisma, a bondade e como ele era fissurado em artes cênicas (algo que chamou muita a atenção de nossa protagonista, pois ela amava tudo que envolvesse artes). E sim caro leitor, Alex é o ELE que fazia Patrícia delirar e confundir a realidade com sonho.

- Sim, e você? – Sorriu. Patrícia entorpeceu-se em seu sorriso, fora para outro mundo. – Ei, Pati? – “Ele me chamou de Pati” – Pensou a garota, não acreditando que estava ali, com Alex.

- Ah, e-eu? Eu estou sim! – Sorriu sem graça.

- Que bom! Eu escutei o pessoal falando que você está escrevendo uma história, e que é muito boa, será que eu poderia ler? – Sorriu meigamente.

- A-aqui está. – Estendeu o caderno. Alex o retirou das delicadas mãos da garotas, não percebeu que estavam trêmulas.

- Já lhe devolvo ok? – Patrícia balançou a cabeça, em um gesto positivo. Alex retornou ao seu lugar, enquanto Patrícia entrava em um transe. Não estava acreditando, nunca imaginaria que Alex leria um dia a sua história. História essa que descrevia todos os seus desejos e sentimentos, onde Marina e Danilo representavam Patrícia e Alex. Se alguém conhecesse todos os sentimentos de Patrícia, descobriria na hora, que aquelas personagens eram representações dos desejos da garota, mas como Alex só sabia que ela era tímida e como ele gostava de artes isso não fazia diferença (por mais que no fundo ela queria que ele descobrisse tudo). O professor Marcos chegou, Patrícia saiu de seu transe e percebeu que só ela estava em pé na sala, corou.

- Estudando o espaço, Patrícia? – Perguntou em um tom irônico.

- Calculando a área da parede, até a carteira, sabe como é, amo matemática! – Sorriu sarcasticamente, mas depois desatou de rir, sabia que era tudo uma brincadeira. Professor Marcos, segundo Patrícia, era o mais legal e o que mais ensinava bem! Só aprendeu matemática por causa dele, mas mesmo assim não gostava da matéria.

- Acho que o prêmio de “melhor idiota” será dividido entre nós dois, não é professor? – Disse rindo.

- Dividido? Nunca! É meu. – riu - Vá sentar tampinha – Professor Marcos entrou no colégio União no começo do ano letivo, Patrícia de cara gostou dele, além de tem um bom método de ensino, é uma boa pessoa, está sempre sorrindo e de bom humor. – Então pessoal, página 213 matéria nova. Passaram-se três aulas, o sinal bateu, Patrícia queria ir logo para casa digitar o que escrevera, mas para isso, ela precisa de seu caderno, que o leitor bem sabe com quem está.

- “Peço ou não peço?” – Pensou, estava tão distraída com esse pensamento, que não ouvi Alex a chamar.

- PATRÍCIA? – Berrou. Patrícia não ouviu bem quem era, mas sabia que era com ela, virou bruscamente para trás, seu corpo colidiu com de Alex, fazendo-os ficar praticamente colados. Como de costume, ela não encarou o garoto, para não ficar mais envergonhada do que já estava.

- Desculpa – Disse ao mesmo tempo em que se afastava de Alex.

- Ah, relaxa. Aqui está seu caderno – Estendeu. – A propósito, você tem o dom hein! – riu. – Quero ler a continuação! – Sorriu. Patrícia não resistiu, e encarou Alex, pela primeira vez conseguiu fazer isso sem corar.

- Ah, pode deixar. – Sorriu. – J- já vou, tchau Alex.

- Tchau Pati – Beijou demoradamente a bochecha da garota e saiu andando. Patrícia estagnou em seu caminho, sabia que aquela reação era infantil, mas não resistiu em repetir “Ele me beijou na bochecha”.

- Está falando sozinha Pati? – Disse Clara, uma mulata de cabelos cacheados se aproximara dela, mas não obteve resposta. – PATRÍCIA? – Num susto, Patrícia voltou a si.

- Ah, O-oi Clara, o que dizia?

- Ih! Bem que a Vic disse que você anda viajando! Tá até falando sozinha...

- E- e Eu? Falando sozinha? Você deve estar imaginando coisas.

- Sim estou – Disse num tom irônico. – Enfim, estão dizendo que você está escrevendo uma história, me deixa ver? - Antes de dizer algo, Patrícia sentiu-se zonza, seu nariz começou a sangrar, sua vista escureceu e desfaleceu no chão. Antes de perder a consciência, ouviu Clara gritando seu nome desesperadamente.